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Associação de Xadrez de Brasília |
"Xadrez a Ginástica da Inteligência" |
Associação esportiva sem fins lucrativos, criada em 14 de dezembro de 1985 - CNPJ 05.217.428/0001-04 |
Textos Interessantes
O jogo de Xadrez - Centauros
Violento como o xadrez e cerebral como o boxe.
O xadrez, como se sabe, é violentíssimo.
Parte do tempo em que parece estar pensando num lance importante da partida o jogador de xadrez, dedica-se a imaginar o que faria com o adversário, e sua familia, se não precisasse se controlar.
Coisas envolvendo machadinhas, ferrinhos sob as unhas e óleo fervendo no ouvido.
O unico esporte parecido com o xadrez, em violencia, é o polo mongol, em hordas a cavalo disputama a posse de um cabrito através de vastas extensões de estepes, e cidades inteiras são arrasadas durante o tempo regulamentar da competição.
O pólo mongol é o xadrez sem auto-controle.
Não há noticia de jogadores de xadrez, que se abracem efusivamente depois de uma partida , ao contrario do boxe , onde todos continuam amigos no fim, mesmo porque passaram a maior parte do tempo abraçados.
Mas o futebol é parecido com xadrez e boxe, ao mesmo, tempo porque são dois jogos distintos.
Na defesa uma equipe de futebol depende da exata colocação das suas peças como no jogo de xadrez.
No ataque, depende do máximo aproveitamento de brechas, como no boxe.
Ajuda se os jogadores da defesa, são brucutus e truculencia dissimulada dos jogadores de xadrez, e os atacantes aceitem levar golpes sem ressentimentos , como os boxeadores.
O atacante deve ter a intuição de um bom boxeador para o momento certo, para a abertura fugidia na guarda da defesa, dar o golpe furtivo no queixo.
Seu vocabulário está cheio de palavras que não entram na vida de um defensor nem em sonho, a não ser nos pesadelos: surpresa, criação, fortuito, invenção.
Nem dá para saber sobre o que falam atacantes e defensores fora do campo.
Sobre futebol certamente não é.
Um não reconheceria o esporte do outro.
O meio do campo, no futebol é uma área mágica porque é ali que se dá a metamorfose: o cara precisa entrar nela enxadrista e sair, lá na frente, boxeador.
Todo time precisa ter pelo menos dois centauros, metade cavalo, metade poeta, no seu meio de campo.
Jogadores que combinem a determinação e a força bruta do xadrez com persistência intelectual do boxe.
Não me ocorre nenhum exemplo da especial atualmente , no futebol brasileiro!!
(Publicado no Correio Braziliense - sábado, 19 de julho de 1997)